Primeiramente gostaria de dizer que eu odeio postar qualquer coisa sobre mim na internet, odeio que o google cruza meus dados para descobrir quem eu sou sem a minha permissão e odeio que a internet ainda é um lugar completamente inseguro para o usuário comum. Dito isso, só estou fazendo este post pq preciso me expor a opinião alheia de alguma forma e fazer isso em foruns underground não vai suprir esse propósito de maneira adequada. Também gostaria de dizer que estou chapado e qualquer erro lógico ou gramatical se deu, provavelmente, por esse motivo.
Sou H(21) e tive um contato precoce com a minha própria sexualidade, quando eu tinha 6 anos comecei uns troca-troca legais com meus amigos, tive a experiência de ser apreciado por meninas mais velhas (com seus 10-11 anos) de maneira não sexual. Aquele clássico sentimento de encanto pela fofura, mas isso foi interpretado por mim de maneira bem diferente. Eu gostava de estar com meus amigos e com essas moças mais velhas, todos gostavam de mim e eu gostava disso. Mas logo fui repreendido pelos meus pais (cristãos) por estar praticando algo que eles não consideravam correto. Por isso acabei parando de ter esse tipo de relação e, aos 10 anos, tive contato com a pornografia. Coisa essa que me trazia um mal estar profundo por estar fazendo algo "errado" e, ao mesmo tempo, estar sendo exposto á clássica violência empregada nos vídeos do gênero. Isso fez com que eu parasse de entender as pessoas a minha volta como seres dos quais eu poderia realizar uma troca prazerosa, noção essa que foi substituída por uma compreensão de que o outro, seja homem ou mulher, era apenas objeto, meio para o gozo, e isso me fez ficar ainda mais atrapalhado socialmente, fazer umas coisas absurdas e, logicamente, me sentir e ser efetivamente rejeitado pelo meio em que eu vivia.
Desenvolvi uma relação que, apesar de eficiente, é muito mecânica com as pessoas a minha volta. Tudo que eu fazia é para realizar a manutenção dessas relações, mas essa atitude diminuía a minha fruição de vida. Não exatamente gostava das pessoas, não exatamente gostava de mim. Tudo parecia como uma responsabilidade mais do que um meio para alcançar esse tal gozo que eu tanto desejava. Agora, aos 21 anos, é que estou começando a entender novamente que é necessário afetar e deixar-se afetar pelos outros, que o meu corpo e minha consciência não são só minhas. Isso tem tornado a minha vida mais feliz e me devolvido essa percepção de "ser criança de novo". É isso por hoje.