O Velho, a Estrangeira e a minha Namorada.
Há muitos anos, uma mulher disse-me: Estás sempre à deriva. Ficou-me como um eco, um espelho que tento evitar desde então. Uma tatuagem que nunca consegui apagar, apenas esconder e que mais cedo ou mais tarde sempre se revela. Uma praga para a qual com o tempo vou esquecendo que preciso da cura.
Quando nos conhecemos eu estava doente. Puseste-me a mão no ombro e disseste relaxa. E foi como se um nevoeiro se dissipasse diante dos meus olhos. Permitiste-me olhar sem receio o mundo em torno. Aceitei uma nova geografia, tornaste-te uma baía. Um ponto de partida para voltar a explorar o mundo. Mas era a ti que desejava cartografar. Eras fauna e flora.
Quando fazíamos amor, os teus olhos transformavam-se. Os teus lábios eram lava. Emanavas luz. Recebias-me com todo o teu corpo. Revelavas-me as tuas feridas. Partilhámos segredos e tesouros. Era o início de um grande amor.
Um dia levei-te ao trabalho a pé. Tinha um avião para apanhar e parei na praça de Táxis, o calor dos teus lábios ficou nos meus, muito tempo depois de me beijares. Não sabíamos quando nos voltaríamos a ver. Enquanto te afastavas, despi-te com os olhos. Ao fundo, dobraste a esquina com aquele sorriso perdido dos parvos de amor. Exalei um longo suspiro de completitude e amputação. Não sabia o que vias em mim, não sabia o quão valioso era o teu amor por mim. Não sabia ainda que te iria magoar ao ponto de não me queres mais na tua vida. Mas naquele momento, aos meus olhos eras um poema vivo, a água gelada que brota da rocha no fim de uma caminhada. Avancei para o táxi. Era um carro muito antigo que destoava de todos os outros que estavam na praceta. Nem sei de que marca seria. Entrei e o condutor ainda mais antigo era. Daqueles velhinhos adoráveis. Pequeno, mas ágil e desperto. Cumprimentou-me e seguimos viagem em silêncio. A melancolia da partida começava a tomar as rédeas. Pela janela, locais habituais tornavam-se em não lugares.
Desculpe estar a meter-me na sua vida mas não pude deixar de reparar em si e na sua namorada a despedirem-se. Fazem um lindo casal. Ah, obrigado. Parecem estar muito apaixonados. Sem amor este mundo não serve para nada. E ela parecia ter uns peitos de cabritinha bem jeitosos de chupar. Desculpe? Não me deu tempo para reagir. As despedidas são sempre difíceis. Se não é indiscrição, vai voar para onde? Ainda meio desorientado pelo comentário atrevido do velhote, respondi Inglaterra. Ah, conheço bem. Não dei trela. Vivi lá uns bons tempos, sabe. Ui. Outros tempos. Para fugir ao ultramar, meti-me na marinha mercante com 19 aninhos. Em Southampton o navio ficou retido. E o armador deu-nos férias, para não nos ter de pagar, o cabrão. Fui com um camarada visitar Londres e os dois arranjámos trabalho num Hotel em Kensington e cagámos pro barco. Não voltámos. O meu amigo ficou na cozinha e como eu me desenrascava com o inglês fiquei como bellboy, sabe o que é? Bellboy? É o Bagageiro. Tinha uma farda vermelha e um chapéuzinho, parecia um macaquinho amestrado do circo. Mas ganhava bem. Era com cada gorjeta. E cada gaja. Foda-se. Cada gaja boa.
Uma vez, o chefe da recepção, disse-me assim, Manel quando acabares o turno, sobe à penthouse. Mas porquê? Quanto menos perguntares melhor é para ti. Tou fodido. O que é que eu fiz agora? Lá fui com o rabo entre as pernas. Se calhar tinha estragado alguma mala de uma madame. Bati à porta todo cagado. Um homem abriu um pouco a porta sem se deixar ver e disse. Sabes inglês não sabes? Eu disse que sim. Na mesa ao fundo tens um papel com instruções e 100 Libras. Se te portares bem, recebes mais 200 no fim. No fim do quê, pensei eu. Espera um minuto e depois entra. Esperei. Entrei. Era uma suite gigante com um luxo do caralho e não estava ninguém. Dirigi-me à mesa. Como combinado lá estavam as 100 libras. Ouça, era muito dinheiro. Eu ganhava 50 Libras por mês já com as gorjetas. Por isso está a ver. Li o cartão. Vai ao quarto e faz o quiseres. Que raio? Avancei a medo. Tinha daquelas portas grandes de correr que se abriam uma para cada lado. Lá as abri. Minha nossa senhora! O menino vai-me desculpar. Mas estava uma coninha que nunca vou esquecer, virada para mim!
Parecia de mármore, a mulher. Branca, branca como o leite e ruiva até aos pintelhos! A gaja de quatro, toda nua de joelhos na alcatifa e com as mãos a agarrar-se ao fim da cama. Tinha o cabelo preso e na cara tinha uma máscara daquelas de Veneza, sabe? A tapar metade da cara. Eu fiquei a olhar para aquilo. Ela não dizia nada. Fui avançando. Toquei-lhe primeiro na perna. Depois fui aproximando os dedos daquela coninha rosa e ela foi-se espremendo toda para mim. Detrás das portas do quarto atrás de mim ouvi Fuck her. Do it. Fuck her. Ó meu amigo. Primeiro enfiei- lhe os dedos até ficar bem molhadinha. Depois fodi-a bem fodida. Tinha 20 anos. Sempre tive muita sorte. Ui. Através do retrovisor, o velhote olhava para mim. Não faça essa cara, eu conto isto e ninguém acredita, mas eu juro que é verdade. Às tantas lembrei-me do bilhete. “Faz o quiseres.” E pensei, ó Manel, nunca mais vais ter outra chance de teres uma gaja destas a chupar-te o pau, nunca! Cheguei-me com o caralho ao pé da cara dela e não é que ela já vinha com a língua de fora? Ouvia o gajo no exterior do quarto a bater uma punheta. Até virei a carinha dela, para ele ver melhor. Depois vim a saber que era um condutor de carros que gostava de ver a mulher a ser fodida por outros. Já viu a minha sorte?
Há 5 minutos achava que tinha entrado no táxi de um velhote fofinho. E agora tinha a cabeça cheia de imagens da minha nova paixão que a pouco e pouco se iam misturando com o grafismo despurado do que o homem contava. Conforme o homem ia contando as suas aventuras, era a minha nova namorada quem eu imaginava nas mãos do velho.
Passado uns tempos vim para Lisboa. Com a sua idade íamos muito passear ali para a Estufa fria. As miúdas usavam assim uns vestidos com saias grandes, sabe? Então o que é que a gente fazia, à entrada da estufa há um muro que dá para o lago então a gente encostava-se ali, meio sentados, mas em pé está a entender? Só dava para fazer isto com moças mais altas que eu, o que não era difícil que eu sou um caga tacos. Elas encostavam-se de costas para mim e os folhos do vestido não deixavam ver o que estávamos a fazer por baixo. Não se via nada. Se soubesse quantas fodi assim. Ai vida. Primeiro metia as mãos debaixo do vestido e começava a baixar-lhes as cuecas. Elas fingiam-se ofendidas, mas não saiam dali. Ó Manel não quero. Não queres, mas estás toda molhadinha. E passava-lhes o dedo na coninha. A cabeça diz uma coisa mas o corpo diz outra, amigo.
Sabe o que é que eu fazia? Depois de lhes meter as cuecas para baixo. Metia o pau mesmo na entrada da cona e dizia. Se não quiseres, não fazemos nada. E elas, olhe parece que tinha íman. Devagarinho, começavam a roçar-se, a abrir as coxas, faziam tudo sozinhas. Eu só tinha de ficar ali encostado, enquanto elas o iam metendo. O menino sabe que não há nada melhor do que uma gaja a encostar o cu a um gajo. Palavra de honra. Mas tinha de ser devagarinho, para não dar nas vistas. E olhe não sei, aquilo devagarinho parece que lhes dava ainda mais tesão. A uma tive de lhe tapar a boca, parecia um caniche a latir. Uma começou a chorar. Às tantas já nem cuecas traziam. Bons velhos tempos. Ficávamos assim a aproveitar o anoitecer, não se via nada. As pessoas dizem que hoje em dia é uma pouca vergonha, mas antigamente era igual. Pronto, era tudo diferente, mas continuamos homens e mulheres, o tesão é igual. Aliás naquela altura era melhor, porque como as raparigas vinham reprimidas de casa, só lhes tinha de dar oportunidade, está a ver? É Estranho mas é verdade. Quanto mais educação austera levam dos pais, mais vontade têm elas de dar. Boa viagem, companheiro.
No avião e nos dias seguintes, fiquei obcecado pelas histórias do velho. Sentia-me seu cúmplice. Obrigou-me a ouvi-lo, obrigou-me a imaginar aquelas fabulações. Quando mencionou o corpo da minha namorada, era como se a tivesse tocado. Ela não o sabia, mas não conseguia largar a imagem dele a tocar-lhe, a dar-lhe prazer. Investiguei e descobri que de facto houve um piloto de automóveis famoso por participar em orgias e partilhar a mulher com outros homens. Seria mesmo verdade tudo aquilo que contava? O mal (ou bem) já estava feito. As imagens já estavam impressas na minha memória.