



Acordei às duas da manhã com aquele barulho maldito. Não era a primeira vez naquela semana. Levantei, esfregando os olhos, e corri para fora do quarto para ver o que era.
Eu havia acabado de me mudar. O colchão estava estirado no chão, sem o lençol de elástico. As caixas ainda por todo lado. O chão do novo apartamento era frio ao toque dos pés, assim como o clima daquela madrugada. Eu estava apenas de cueca e estremecia com a brisa que entrava pela janela aberta. Procurei o moletom que havia usado na noite passada e o vesti. O barulho aumentava conforme eu chegava mais perto da porta. Era música, e não era ruim. O problema era o horário mesmo.
Esfreguei os olhos, já irritado. Não queria começar a brigar com os vizinhos logo de primeira. Mas eram duas da manhã de uma segunda feira, eu tinha um dia longo de trabalho pela frente e não queria começar a semana com horas de sono a menos. Resoluto, atravessei a porta de casa. Meu chinelos clicaram pelo hall em direção ao apartamento de onde a música vinha.
Toquei a campainha, sem sucesso. Não sei se o dono da casa não havia escutado, ou se acreditou que teria tocado em outro lugar. Bati o punho contra a madeira com certa força e, dessa vez, a música diminuiu em alguns segundos.
Olhei para cima. Era um prédio antigo, então a porta tinha uma pequena abertura para que o dono da casa pudesse colocar o rosto pra fora. Mas antes que eu pudesse distinguir quem me olhava, minhas narinas foram invadidas pelo forte cheiro que passava por aquela minúscula entrada. Era óbvio que o idiota estava fumando maconha a essa hora da noite.
- Oi. Eu te conheço? – Disse o vizinho. Era um homem alto – diferente de mim -, já que alcançava a portinhola com facilidade. Seus olhos eram castanho-claros e seu rosto era magro, barba feita. Fiquei mais tempo reparando nele (e na marola que vinha junto de sua expressão jovem e relaxada) do que gostaria.
- Ah, oi. – Respondi – É que eu sou o vizinho da frente, mudei tem pouco tempo...
Ele saiu da portinhola, e ouvi os cliques e claques da porta sendo destrancada enquanto percebia que, em meu torpor sonolento, não havia colocado calças! Corei imediatamente. Apertei mais o moletom contra o corpo como se isso fosse adiantar de algo, quando o rapaz inteiro apareceu na minha frente. Ele estava sem camisa, o peito esguio, mas malhado, quase da altura da minha face. Vestia uma calça jeans surrada com a cintura tão baixa que eu podia ver uma trilha de pelos que saía de sua cueca e ia até um pouco acima do umbigo.
- Cê precisa de ajuda? – Ele perguntou, depois de um momento de silêncio desconfortável em que nos olhamos.
Algo dentro de mim começou a se aquecer e borbulhar, a irritação de ter sido acordado por música grunge no meio da madrugada foi se dissipando e se tornando... algo diferente. Suspirei, tentando pôr os pensamentos no lugar. Mas parecia que a minha mente era levada para caminhos muito diferentes do que era o meu objetivo inicial.
- Meu nome é Astra. – Falei, finalmente. – Ouvi a música aí do seu apê. Esse álbum é massa.
- Ah... Que legal que gosta. – O garoto respondeu desconsertado. Ele não devia ser muito acostumado a fumar, pois eu conseguia ver as engrenagens se movendo lentamente em seu cérebro para formar algum pensamento. – Eu sou o Rick. Ricardo... Rick. Ãh, prazer.
Apertei sua mão. Rick abriu mais a porta, deixando que o cheiro dominasse o corredor e permitindo que eu entrasse, ainda agarrado no moletom como se fosse um colete salva-vidas.
- Então, você quer alguma coisa? Uma água... – O garoto começou.
A sala era o que você podia esperar de uma casa de garotos jovens. Talvez fosse uma república, não sei. Um sofá velho e cinzento descansava no meio do cômodo, a caixinha JBL no chão ao lado de algumas latas vazias de cerveja e um cinzeiro. Na parede da janela, uma mesa encostada e três cadeiras que não combinavam. A parede oposta apoiava uma televisão. E era isso.
- Ah... Eu pensei em passar aqui, se pá dar um trago se você deixar. Não fumo desde as primeiras festas da faculdade. – Eu disse, dando uma risadinha. De fato, aquele ambiente me trazia de volta ao meu auge pré-pandêmico, varando o final de semana em casas estranhas, a base de prensado, vinho barato e comida de micro ondas.
- Quantos anos cê tem? – A voz de Rick se sobrepôs à minha nostalgia.
- 25, e você?
- Achei que tinha a minha idade… Tenho 19. – Eu não respondi, apenas observando o minimalismo do lugar enquanto me aconchegava no sofá. Ele continuou:
- Mudei pra cá tem pouco tempo. Tô esperando as aulas começarem.
- Faz sentido. – O bairro era próximo à universidade, no fim das contas.
Rick pegou o cigarro do cinzeiro e o acendeu novamente. Puxou longamente, enquanto ouvíamos uma música terminar e a outra começar, e me passou o baseado. Confesso que puxei mais do que gostaria, o que desencadeou uma crise de tosse constrangedora. O garoto pegou desajeitadamente uma lata de cerveja ainda fechada de trás do sofá. Bebi um gole. Já não estava mais gelada, mas serviu seu propósito.
- Obrigado.
Ficamos em silêncio por mais um tempo. Entreguei o cigarro para meu vizinho, que começou a falar.
- Então, cara… É cara, né?
- Isso. Sou transmasculino.
- Ah… Entendi.
Rick fumou mais um pouco, tentando me olhar de forma disfarçada, sem muito sucesso. O cômodo se enchia de fumaça e tensão. A “coisa” que borbulhava nas minhas entranhas já tomava uma forma específica, muito bem conhecida por mim. Quase chegava na garganta, agora seca pela fumaça. A necessidade de fazer alguma coisa se formava na minha mente já intoxicada.
- Já conheceu algum? – Perguntei, preparando o terreno.
- Não que eu saiba… - Rick respondeu, uma expressão confusa estampada na face. – Por que?
- Ah… - Comecei, me aproximando mais um pouco. Minha mão esquerda estava perigosamente próxima da coxa dele. – Talvez tenha alguma coisa que você tá querendo descobrir.
Coloquei um dos pés no sofá, expondo a cueca. Os olhos de Rick se arregalaram e ele engoliu em seco. Ele não tirava mais o olhar de mim, conforme meu rosto se aproximava, lentamente, do dele. Minha palma já estava em contraste com o tecido áspero dos jeans. A fumaça pairou no ar, pesada e inebriante, quando eu completei, com uma risadinha:
- Só cuidado que vicia, viu?
Finalmente, as sinapses do garoto se conectaram com rapidez o bastante. Sem me deixar terminar a frase, ele aproximou seu rosto do meu e me beijou. Era lascivo e desesperado. Eu correspondi. A mão dele foi rapidamente para a minha cintura enquanto eu passava os dedos para baixo e para cima em seu peito liso.
O garoto logo passou os beijos para meu pescoço e orelha, chupando e lambendo com energia.
- Cuidado, eu trabalho amanhã! – Sussurrei. Ele murmurou um pedido de desculpas antes de continuar seu trabalho.
Rick enfiou as mãos por dentro do meu moletom, sentindo minhas cicatrizes e os pequenos mamilos, pressionando-os com cuidado, apesar da afobação. Quando eu alcancei a barra de sua calça, ele se levantou, me ajudou com os botões e abaixou os jeans junto com a cueca, expondo seu pau. Não estava totalmente duro, mas eu conseguia ver que era um pouco maior do que a média. Perfeito.
Mordi o lábio com a visão, e ele logo voltou a me beijar, passando os dedos pelo meu cabelo para que eu começasse a chupar. Estendi a mão em direção ao membro, passeando por todo seu comprimento até apertar de leve. Eu segurei os quadris de Rick com as duas mãos e o aproximei de mim. Encostei o membro no meu rosto e passei a língua da base até a cabeça, apenas para enfiar o que conseguia na boca de uma vez, tirando um suspiro do meu vizinho.
Comecei a chupar, sentindo-o ficar mais duro dentro da minha boca. Era grosso. Não era dos maiores que eu já tinha visto, mas tinha aquele gosto que eu adorava e cabia bem ali, com minha língua dançando em volta dele.
Não demorou muito para que o garoto, não se aguentando mais, me segurasse pela cabeça e começasse a foder minha boca com entusiasmo. Eu já começava a sentir os efeitos do baseado em mim. Misturado com o tesão, aquelas sensações corriam e explodiam dentro do meu corpo com força.
- Tá gostando do meu pau? – Ele falou, entre a respiração pesada. Eu assenti com a cabeça como pude, no meio da ação.
“Isso, me usa!” era o que eu pensava enquanto ele empurrava o pau mais fundo dentro da minha garganta, me fazendo salivar e lacrimejar.
O afastei de mim para tomar um pouco de ar.
- Você não tem um colega de quarto não, né? – Perguntei, já ofegando um pouco.
- Tá na casa da mina dele. Preocupa não.
Ele me olhou de cima, me observou enquanto eu tirava a cueca e ficava apenas com o moletom, abrindo bem as pernas para que ele pudesse ver o que eu mostrava. Os pelos estavam baixos, emoldurando um clitóris grande, inchado, e os lábios brilhantes. Eu já tinha começado a ficar molhado só pela ideia de transar com meu vizinho que eu mal conhecia, mas foi o boquete que me deixou ainda mais encharcado.
Rick me tocou, lubrificando os dedos com meu prazer e acariciando nos pontos mais sensíveis. Meu corpo reagiu, rebolando em direção à mão dele. Mas não era isso que eu queria.
- Ai, me come logo! – Implorei. O garoto assentiu e tirou o resto da calça antes de me virar para que eu ficasse de quatro no sofá, as mãos apoiadas no encosto. Ele não perdia tempo. Segurou o pau e começou a esfregar a cabeça devagar na minha buceta. Eu sentia aquilo como se fosse uma onda invadindo meu corpo, me fazendo tremer e suspirar. Era uma tortura deliciosa, ficar naquela expectativa. Eu queria mais!
Quando ele começou a esfregar a ponta do membro bem na minha entrada, empurrei meus quadris na direção da virilha do meu vizinho, sentindo-o me preencher lentamente, de forma perfeita. Gemi alto, uma onda aguda e quente perpassando meu corpo. Rick começou a se mover devagar, mas logo passou a me comer com força e rapidez, fazendo o sofá balançar. Colocou logo as duas mãos no meu ombro, o que o ajudou a estocar ainda mais fundo dentro de mim. Eu sentia como se estivesse derretendo conforme o garoto me segurava, me tratando como se eu fosse seu brinquedinho.
- Peraí... – Consegui soltar em meio a meus gritos, colocando uma mão para trás. Ele parou e eu me virei, me deslocando para o canto do sofá e dando tapinhas no lugar onde eu estava anteriormente. – Vem cá, quero brincar também.
Sorridente, Rick se sentou e eu passei uma perna por cima de seu corpo para ficar por cima. Coloquei tudo de novo na minha buceta e comecei a rebolar devagar. O garoto só apoiou os braços no encosto, colocando a cabeça para trás.
- Caralho... – Suspirou.
- Eu te falei que vicia... - Eu ri. Sentar para ele era delicioso! Eu sentia toda a extensão do pau do meu vizinho deslizando para dentro e para fora de mim conforme eu me mexia. Resolvi dar um show do qual ele não ia se esquecer, rebolando em várias direções e sentando de todo jeito que eu sabia. O garoto gemia junto comigo, agora apertando minha bunda e me ajudando com os movimentos.
Com ele todo dentro de mim, a virilha de Rick roçava no meu clitóris grande e inchado, e eu conseguia sentir meu orgasmo vindo como uma corrente elétrica. Envolvi o pescoço do garoto com os braços, aumentando a velocidade e gemendo no ouvido dele, anunciando meu orgasmo. O gozo veio delicioso, um alívio.
- Eu já fui. – Sussurrei no ouvido dele, a cabeça apoiada em sua clavícula. O ritmo diminuiu até parar, e as mãos do garoto viajaram da minha bunda até minha cintura. Respirei fundo, olhei nos olhos dele e, com um sorriso safado no rosto, disse:
– Agora é sua vez.
- Posso gozar na sua boca?
- Claro!
Saí de seu colo e me posicionei obedientemente de joelhos no chão, na frente daquele pau que ainda estava duro e pulsava de desejo. Ele começou a se masturbar, e eu prontamente coloquei a boca na cabeça do membro, chupando o que podia. Não demorou muito para que o sêmen grosso e abundante invadisse a minha boca, quente. Engoli tudo e passei a língua uma última vez pelo pau de Rick, como que para agradecer pela foda da madrugada.
***
Acordei com o despertador me sentindo como se estivesse sido atropelado. A noite havia sido deliciosa, mas o sono foi curto, e isso se fazia sentir claramente no meu corpo. Desliguei o alarme, sentindo um arrepio subir pela minha espinha conforme eu lembrava da última trepada com meu vizinho barulhento, o moletom ainda com um cheiro forte de suor e sexo.
Peguei o celular, logo vendo uma notificação nova no Whastapp; era o grupo do prédio:
“Gente, essa madrugada tivemos muitos barulhos estranhos vindo do 302. Vamos tentar manter o silêncio após as 22h!”